CPr4.5 é fruto de uma sucessão de atos que envolvem a caixa de pescado, símbolo das trocas comerciais e ferramenta identitária da pesca em todas as escalas. A pesquisa ocorreu ao longo de cerca de um ano e meio, tendo como epicentro a cidade de Laguna, Brasil, e o banco como um dos pontos finais do trabalho. Derivada dos módulos estruturais da intervenção “Apetrecho de Pesca”, as peças de madeira e a caixa são remanejados estruturalmente e articulados enquanto bancos generosos.
Há 3 pontos principais de interesse exploratório; o primeiro, enquanto ato mínimo, gesto simples, de elevar a caixa 20cm do chão, que leva à formalização de um sentar. Segundo, a investigação arquitetônica de elementos externos inseridos ao pensar arquitetônica em conjunto com uma leitura antropológica desse contexto. Por fim, o ato de projetar enquanto ciclo fechado, de ressignificar ao infinito as possibilidades dentro de uma mesma disposição material.
Buscou-se utilizar o mínimo de material possível, mantendo ainda a lógica de trânsito da própria caixa, isto é, que o banco caiba dentro de si mesmo. Assim, ela retorna à sua posição essencial de armazenamento, carregando consigo a espessura da experiência de sua valorização a partir do território, sendo dentro ou fora dele.
Cada um dos pés corresponde a uma das faces laterais da caixa, que possuem dimensões diferentes em função do sistema de encaixe e empilhamento. A partir de uma lógica de clipe, uma ripa adicional é inserida, promovendo o travamento entre a caixa e o pé e fornecendo um apoio na altura dos cotovelos. A própria caixa vence o vão.
Os bancos foram prototipados e produzidos pela primeira vez em uma performance na exposição “100C/3A”. Um esforço que é aberto a alterações durante o processo – novos gabaritos de corte, soluções experimentais para acabamentos, o teste de resistências, a incorporação e desagregamento de ideias como modo de entender, no processo de evolução do desenho através da produção, lançar atenção ao valor estético e ético do erro e acerto manual, inserido no mundo material junto da sua execução.
Essa produção constrói, assim, o fim da ação dessas 100 caixas de peixe – depois de se articularem como parede e como farol, agora alcançam a tangibilidade do particular, de colaboradores que podem casualmente encontrá-las e delas fazer uso sem reparar que antes estiveram suspensas e iluminadas sobre a Lagoa de Santo Antônio. Os banquinhos, adaptação sutil do já banal ato de utilizar-se das caixas como objeto de apoio, encontram num resultado simples a virtuosidade do processo como instrumento e do uso possível do que já é dado como manipulação de um algo novo.
ARQUITETURA
Igor de March
João Vitor Pilati
Tony Torquato
PERFORMANCE
João Victor Alberton
Lucca Vinci
CPr4.5 é fruto de uma sucessão de atos que envolvem a caixa de pescado, símbolo das trocas comerciais e ferramenta identitária da pesca em todas as escalas. A pesquisa ocorreu ao longo de cerca de um ano e meio, tendo como epicentro a cidade de Laguna, Brasil, e o banco como um dos pontos finais do trabalho. Derivada dos módulos estruturais da intervenção “Apetrecho de Pesca”, as peças de madeira e a caixa são remanejados estruturalmente e articulados enquanto bancos generosos.
Há 3 pontos principais de interesse exploratório; o primeiro, enquanto ato mínimo, gesto simples, de elevar a caixa 20cm do chão, que leva à formalização de um sentar. Segundo, a investigação arquitetônica de elementos externos inseridos ao pensar arquitetônica em conjunto com uma leitura antropológica desse contexto. Por fim, o ato de projetar enquanto ciclo fechado, de ressignificar ao infinito as possibilidades dentro de uma mesma disposição material.
Buscou-se utilizar o mínimo de material possível, mantendo ainda a lógica de trânsito da própria caixa, isto é, que o banco caiba dentro de si mesmo. Assim, ela retorna à sua posição essencial de armazenamento, carregando consigo a espessura da experiência de sua valorização a partir do território, sendo dentro ou fora dele.
Cada um dos pés corresponde a uma das faces laterais da caixa, que possuem dimensões diferentes em função do sistema de encaixe e empilhamento. A partir de uma lógica de clipe, uma ripa adicional é inserida, promovendo o travamento entre a caixa e o pé e fornecendo um apoio na altura dos cotovelos. A própria caixa vence o vão.
Os bancos foram prototipados e produzidos pela primeira vez em uma performance na exposição “100C/3A”. Um esforço que é aberto a alterações durante o processo – novos gabaritos de corte, soluções experimentais para acabamentos, o teste de resistências, a incorporação e desagregamento de ideias como modo de entender, no processo de evolução do desenho através da produção, lançar atenção ao valor estético e ético do erro e acerto manual, inserido no mundo material junto da sua execução.
Essa produção constrói, assim, o fim da ação dessas 100 caixas de peixe – depois de se articularem como parede e como farol, agora alcançam a tangibilidade do particular, de colaboradores que podem casualmente encontrá-las e delas fazer uso sem reparar que antes estiveram suspensas e iluminadas sobre a Lagoa de Santo Antônio. Os banquinhos, adaptação sutil do já banal ato de utilizar-se das caixas como objeto de apoio, encontram num resultado simples a virtuosidade do processo como instrumento e do uso possível do que já é dado como manipulação de um algo novo.